No domingo (17), completa, exatamente, um ano desde que o eterno “rei dos domingos”, Silvio Santos, faleceu e deixou de aparecer na TV. Além da ausência que marcou gerações de telespectadores, o “patrão” também deixou uma emissora em situação delicada.
Com Patricia Abravanel à frente do "Programa Silvio Santos", o momento atual do SBT foi definido por Luciano Guaraldo, do site especializado 'Notícias da TV', como a 'pior crise' da história do canal.
"Uma tentativa da direção de levantar os índices de audiência do SBT, que atravessa a pior crise da sua história e está mais próxima da Band nos números do que da Record, sua grande rival."
A instabilidade ficou clara na sexta-feira (1º). Às 16h46, a Comunicação do SBT enviou um e-mail à imprensa anunciando mudanças na programação matinal a partir da segunda-feira (4). Entre as novidades, estava a inversão dos horários dos jornalísticos "Primeiro Impacto" e "Alô, Você", e o infantil "Bom Dia & Cia" assumindo a faixa de almoço na Grande São Paulo.
O maior beneficiado seria Luiz Bacci, que passaria a ter parte de seu telejornal transmitida nacionalmente. Já Marcão do Povo entraria no ar mais cedo, às 7h30, enquanto o religioso Deive Leonardo teria seu programa “Bom Dia Esperança” dentro do "Primeiro Impacto". A dupla Patati Patatá ficaria no ar das 11h30 às 13h, com mais tempo e maior audiência local, mas sem transmissão nacional.
Porém, às 18h12, menos de duas horas depois, um novo comunicado foi disparado: tudo estava cancelado. A grade seguiria exatamente como era até a sexta-feira anterior. Ninguém entendeu nada.
"Caros colegas, esta grade substituí (sic) a enviada anteriormente", dizia o e-mail da assessoria do SBT
Outro episódio polêmico ocorreu em 14 de julho. Durante um programa de rádio, Ratinho disse que o "No Alvo" poderia não estrear porque Pablo Marçal teria proibido a exibição de sua entrevista. O assunto foi explorado no "Fofocalizando" e no próprio "Programa do Ratinho".
No dia seguinte, o próprio Marçal esclareceu: nunca tentou impedir nada. Segundo ele, entendeu a história como “estratégia de marketing” e afirmou que ficou feliz por ajudar o SBT a conquistar o segundo lugar de audiência naquela noite.
Porém a sequência de mudanças repentinas, decisões revertidas e estratégias questionáveis contribui para a pior crise da emissora. Alterar a programação pode ser “aposta” nas palavras da presidente Daniela Beyruti, mas, em um mercado competitivo e fragmentado como o de 2025, cada erro custa caro.
"São apostas. Dando certo, mantém; não dando certo, a gente troca", disse ela em maio deste ano, ao anunciar a nova grade para 2025.
Segundo o jornalista Luciano Guaraldo, do Notícias da TV, essas idas e vindas reforçam a percepção de que o SBT “não sabe como escalar do buraco” e acaba “fazendo de palhaços” não só o público, mas também a imprensa e seus próprios funcionários. Alterações de última hora se tornaram recorrentes, mas o cenário atual é muito diferente da década de 1990, quando a instabilidade era encarada como “Silvio brincando de televisão”.
Hoje, a concorrência é maior, o público é mais exigente e, como lembra Mauricio Stycer, ninguém tem paciência para procurar horários ou lidar com mudanças repentina, especialmente quando nem a imprensa sabe exatamente quando cada programa vai ao ar.
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